domingo, 26 de junho de 2011

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Dizem que o amor nasce num instante, como um relâmpago que cruza sem avisar o céu inteiro, ou uma onda desordeira que de repente cobre a praia inteira. Dizem que o amor mata e quando não mata é porque morre, e quando não morre é total, absoluto, sublime e perfeito...
Percebi que é do nada que tudo pode começar, mesmo que tantas vezes o ténuo fio pareça partir-se, a luz tão fraca ameace apagar.se e os sonhos prometam desfazer-se na manha seguinte.
Afinal o amor não tem de nos fazer estremecer como um relâmpago nem sufocar como uma onda...pode ser o ruído sereno e doce de uma nascente que corre devagar em direcção ao mar imenso...

Não sei de que massa somos feitos, nós os humanos, que nos julgamos animais racionais e afinal andamos a vida inteira ás turras com a vida. Há muitas formas de amar e viver o amor...todos precisamos dele para não agonizar numa existência adiada e todos o vivemos de maneira diferente...

Em tempos, enquanto te olhava, perdido nas cores e nos objectos da sala e me enroscava ainda mais no meu lugar no sofá, percebi que eramos feitos de massas muito diferentes, e, embora tão humanos quanto irracionais, afinal não procuravamos as mesmas coisas. E foi então que percebi que deve ser isso o amor, querer o mesmo ao mesmo tempo, querer agora e depois, querer estar,querer, se não para sempre, pelo menos durante muito tempo, querer viver, querer construír alguma coisa a dois...esse número mágico que rege a humanidade, o céu e a terra, o ar e o fogo, a luz e a sombra, o voo e a queda, o bem e o mal, o tempo e o modo...

Escolhi a solidão sem saber que depois dela não há nada...

Quem parte há muito que se foi embora, por isso decidi guardar-te no coração que é o único sitio do qual tenho a certeza que nunca sairás.

Dói um bocadinho, mas depois limpa-se a memória e apaga-se a dor e como o mundo é regido pelo número mágico dos pares, um dia aparece outra vez o amor, nas mãos de quem o sabe dar e receber, nas maõs de quem também quer amar...

Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente...
Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a busca-nos em outras metades...

Para viver a dois, antes, é necessário ser um

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