sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Reportagem caras

Numa relação, há lugar para muitas diferenças. Os parceiros podem gostar de filmes de gêneros opostos, divergir sobre ter ou não um filho, adotar religiões e times de futebol diferentes. Quando se ama, tudo isso pode ser contornado, discutido, negociado e tolerado. Apenas uma atitude não admite negociação: a mentira - e a traição, em geral associada a ela. Nenhuma união sobrevive a essa dupla. Capazes de destruir a confiança e o amor, a mentira e a traição são as causas mais comuns de separações. O compositor carioca Noel Rosa (1910-1937) escreveu com seu parceiro Vadico (1910-1962) uma bela canção sobre o assunto. Diz o seguinte: "Pra que mentir/ Se tu ainda não tens/ Esse dom, de saber iludir/ Pra que, pra que mentir/ Se não há necessidade de me trair". Faz sentido a dúvida do poeta. Por que mentimos? Às vezes é para nos valorizar. Mentimos sobre nossa idade, nossas realizações, o dinheiro que possuímos, a profissão que exercemos. Ou mentimos para preservar nossa liberdade. Vamos a um lugar e não contamos, compramos algo e escondemos. Mas não adianta querer minimizar as coisas: omitir é o mesmo que mentir. E quem mente por pequenas coisas vai mentir também sobre as grandes, correndo o risco de destruir um amor ou marcá-lo com feridas profundas que aos poucos vão acabando com o desejo e a confiança. A lealdade é fundamental para uma pessoa se entregar a outra de corpo e alma. Trair é quebrar o pacto do amor. Não esperamos nem perdoamos a mentira de quem diz que nos ama. Se pegamos nosso amor numa mentira, seja ela qual for, a confiança é abalada e abre-se espaço para o ciúme. Esse terrível sentimento envenena a relação e, onde antes havia entrega e espontaneidade, passa a haver desconfiança e insegurança. Depois de sermos enganados uma primeira vez, qualquer falha, qualquer mudança no comportamento do outro desperta nossa dúvida e nosso medo. O alerta fica ligado. Se há amor, quem mentiu e não pretende repeti-lo precisa ter sensibilidade para deixar claras as suas intenções e assim tentar recuperar a credibilidade junto ao parceiro, embora não seja uma tarefa fácil. Em geral, infelizmente, a desconfiança é legítima. Uma detetive profissional, entrevistada recentemente em um canal de TV, disse que, quando uma pessoa contrata alguém para seguir o parceiro supostamente mentiroso ou traidor, em cerca de 90% das vezes constata que tinha razão. Qualquer mentira abala uma relação. Mas a mais destruidora é a que envolve ligação amorosa ou sexual com outra pessoa. Quando isso ocorre, o mais provável é que se instale uma crise violenta, longa, e a relação acabe. Existe até quem perdoe, mas todos demoram para esquecer e superar a mágoa. O ciúme não tem lógica nem razão, é quase animalesco. Quando há a suspeita de uma traição, o ciumento fica obsessivo e procura desesperadamente a "prova do crime". A pessoa antes calma e cordata, compreensiva e digna se transforma numa fera, capaz muitas vezes até de matar. Quando se pergunta a homens e mulheres sobre o que é importante para uma relação dar certo, a maioria diz: fidelidade, lealdade, confiança e carinho. Por outro lado, são considerados inaceitáveis a agressividade, a mentira e a traição. Para o casal que deseja viver feliz, recomendo: abram o coração e falem sempre a verdade, mesmo que isso mostre que vocês não são tão bacanas, ricos ou jovens como gostariam, mas confirmem que são honestos, confiáveis e leais.É isso que conta num amor verdadeiro.
Por leniza castello branco

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